“Ausência” é um projeto que compreende o desafio de se produzir um autorretrato acéfalo.
Há uma projeção rudimentar na ausência da luz.
Imersão do corpo na matéria, inflexão contrastante entre o eu e a coisa.
Despejos desenfreados de feixes atravessam desejos fragmentados que os lançam na direção oposta.
Ouço o tempo, sinto o ar, olho a escuridão.
Procuro na existência o amorfismo que possa se transformar em tudo, em nada, ou em qualquer coisa.
Seria ele a luz?
O aprisionamento de um reflexo já não me cabe.
Extrapolo a pele limítrofe.
Não sou rosto, nem cabeça nem corpo.
Sou a ausência daquilo que me atinge.
Fruição de tudo que me assombra.